Sobre sensibilidade e militância.


Em meio a crise politica que cerca o Brasil por todos os lados, onde todos os dias somos bombardeados por inúmeras tentativas de derrubar o Governo Federal. Uma luta de egos, onde vence quem convence a população de quem é o "menos corrupto".  Com certeza esse momento politico tem sido basante delicado e precisamos cada vez mais de pessoas organizadas para disputar consciência politica das pessoas e interferir nesse cenário.

Porem muitos outros temas além da crise devem ser discutidos. Ultimamente tenho sido cobrado por "não está militando"  e que isso "está atrapalhando a luta" , logo, "estou fazendo descaso do cenário politico atual" e eu tenho que ir as ruas, protestar, sai gritando, etc.

Meu pensamento diante dessas cobranças são: - Será que tudo que já fiz durantes anos da militância foi em vão só porque não estou ativamente na militância nesse período tão caótico? 

Fiquei refletindo por alguns minutos ultima noite sobre o que leva a  uma pessoa a fazer uma "cobrança de militância". Será que essas pessoas sabem o que se passa com o outro antes de fazer tais questionamentos? Será que somos sensíveis as nossas companheiras e companheiros de militância? Todos temos os mesmo processos cognitivos que facilitam essa vida nada fácil que é militar? Fiquei refletindo sobre tal situação.

Há na militância um mito que nunca é discutido: a homogenização das pessoas.

É retirado de cada um, suas origens, suas vivencias, seu contexto social/econômico, sua formação politica (quando há), sua saúde mental, ou seja, as pessoas tornam-se um padrão militante onde é lhe é negado, por imposição, seu direito de não esta preparado pra tudo a todo momento.

A falta de sensibilidade com o outro de compreender que nem todas as pessoas tem condições, sejam elas financeiras, física ou mental de está o tempo inteiro dedicado a militância. Esquecemos que por muitas vezes fatores que estão pra alem do nosso controle interfere em  nossa saúde mental, que os processos cognitivos são diferentes, que o trabalho, família ou uma mudança de rotina, e as cobranças diárias, causam um stress emocional que está pra alem de nosso controle.

Não somos sensíveis e não conseguimos compreender o outro.

A falta de empatia dentro dos espaços de militância é o que tem causado, cada vez mais, o afastamento das pessoas desses ambientes onde teoricamente é "libertador", mas, suas praticas individuais e coletivas reproduzem uma opressão mascarada como  uma obrigação.  Militar deixou de ser sobre o empoderamento pra ser sobre obrigações.

Sei que é preciso ter disciplina, ter uma linha politica coesa, deixar pensamentos individuais de lado e ser uma pessoa coletiva. Porem, não podemos esquecer que somos feito de carne e a carga que colocada pra cima de cada um é diferente, nem todas as pessoas lidam da mesma forma que você lida com as situações do dia-a-dia.

É preciso ter empatia, se colocar no lugar do outro e  tentar compreender seus processos cognitivos, suas vivencias atuais. É preciso sermos mais sensíveis.







Comentários